sábado, 8 de junho de 2013

Franqueza

É alguma hora da madrugada e ele lamenta por não ter cigarros. Na verdade ele lamenta por não fumar e por não se entorpecer naquela fumaça toda de ansiedade descontrolada. Na realidade, ele lamenta por ter sido tão comedido, por tê-la feito acreditar que era madura, que era bom de entender as coisas que nem mesmo sabia. E ele não previu que em alguma hora da madrugada ele iria querer dar uma de louco e fazer algum escândalo de amplo espectro. Algo que fosse dos berros aos sussurros - em toda sensualidade que tinham quando estavam juntos.
Olhou para os lados em busca do cigarro, da vontade de fumar, da vontade de pisar duro, de fazer passar vergonha, de senti-la novamente nele. Lamentou por toda delicadeza do entendimento. Queria mesmo era tormento. Do tipo tórrido.




TIAGO DA SILVA VIEIRA.

Um comentário:

  1. Preciso nem comentar, texto impecável como todos os outros.

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